O TEMPO, NO TEMPO QUE TEM QUE SER

Ao sair de Cusco no Peru, fui para Lima e de lá para Quito no Equador. Dentro do cronograma do projeto 100 Milhas ao Redor do Mundo, este era o quarto país. Eu já havia passado pela Patagônia Argentina, Chile, Peru e agora era a vez do Equador.


No aeroporto, os passageiros para as Ilhas Galápagos pegam um embarque diferente com normas de segurança um pouco mais apuradas que as normalmente conhecidas em aeroportos internacionais.


Com a bagagem pesada e lacrada, documentação e autorização corretas, entrei num avião para um mundo que até então eu só tinha visto nas aulas de biologia e história. Darwin era um cara dos livros, um barbudo que foi a um lugar distante cheio de animais.

O pouso foi em Baltra, ilha árida de frente a uma outra chamada Santa Cruz, completamente diferente, toda tropical e cheia de verde. Galápagos é assim: ilhas vulcânicas inabitadas, ilhotas com pequenas comunidades de leões marinhos, aves, iguanas e tubarões, muitos deles.

O legal de estar lá é observar a diversidade, não só da fauna e da flora, que vivem em perfeita harmonia, mas de tudo e de todos. Galápagos é especial pela beleza natural, mas também pela paz.


Em poucos lugares tive essa sensação absoluta de paz. Por vezes eu pensava que aquilo tudo era mais que um arquipélago geograficamente concebido, mas uma ilha isolada em meio a tanta coisa estranha que vemos pelo mundo.


Em Galápagos o tempo passa de forma diferente. O tempo é no tempo que tem que ser, nada tem pressa, nada está atrasado, ninguém faz tudo ao mesmo tempo. Mesmo com a Internet e algum conforto, Puerto Ayora é uma pequena cidade que faz todo sentido para quem está lá. É pacata, calma. O que mais se ouve é o som do mar.


Se por lá Darwin estudou a natureza e gastou uns dias em nome da observação, você também pode se permitir a reflexão em qualquer lugar que seja. Porque a verdade é que um dia você se vai e se não pensar agora no que deixará como legado, talvez não pense nunca, porque sempre, de uma forma ou de outra, o tempo passa. O legado de Darwin é belo e torna as Ilhas Galápagos mais especiais ainda, mas para isso, o silêncio e a observação foram necessários.


Aprender a observar o mundo ao seu redor faz perceber a banalidade das urgências e emergências do nosso cotidiano. A falta de um propósito claro em quase tudo o que se faz hoje em dia. A observação pode te mostrar que a diversidade é uma realidade viável mesmo neste mundo confuso em que vivemos.


Correr em Galápagos foi muito bom.

Além de sentir o sol equatorial na pele, quente de verdade, quase tudo era plano e a corrida fluía fácil. Mesmo assim diminuí o ritmo para observar os bichos. Se não olhasse direito, facilmente poderia pisar em alguém.

Enquanto corria, fiquei pensando como seria

minha trajetória se não tivesse passado por lá.

Como seria a vida se algumas pessoas ou lugares não existissem. Certamente, Galápagos me faria falta. Não só pela Natureza, mas também por todos que um dia passaram por lá. Pelos que foram e ficaram e pelos que não foram mas sonham com a paz daquele lugar.


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