O OLHAR INTERIOR

Pode parecer estranho, mas apesar de sensacional, Machu Picchu é o sítio arqueológico menos interessante do Império Inca, tendo em vista quantas histórias você vai conhecer no caminho até o alto daquela montanha para avistar a misteriosa cidadela.


No Perú, entre Cusco e Machu Picchu, existe o Vale Sagrado.


Lugar em que se fala baixo por natureza, as pequenas vilas com comerciantes, casas plantadas em propriedades agrícolas de subsistência e uma cultura forte, presente até no olhar das pessoas.


Um olhar muito vivo e que honra com o passado dessa civilização rica e feliz.


Cada passo que dei no Peru, fosse explorando a cultura, fosse correndo nas suas altitudes, eu aprendi algo de bom com aquele povo. No mínimo entendi melhor a relação deles com seus antepassados. Coisa que nós, do mundo pós-moderno, muitas vezes fazemos questão de esquecer.


Por vezes aqui, prédios e edificações antigas que carregam história, são demolidos para dar lugar ao novo. Sem pedir licença para o passado, nos desfazemos dele e claro, recaímos em erros e atitudes que poderiam ter sido aprendidas, mas preferimos não olhar para trás.


O olhar para o passado é importante, nos conta de onde viemos, nos dá chão para correr com tranquilidade. Percorrer a vida não é tarefa difícil, mas passar por este caminho construindo e preservando o que nos foi dado, com respeito e visão de futuro sim, isso é difícil.


A todo instante somos convidados a inovar quase que freneticamente pois o que é de ontem não nos serve mais.


Achamos tudo muito velho.

O Perú e o povo Quíchua (lê-se Quêchua) não pararam no tempo, não estão presos no passado. Não é isso. Eles apenas respeitam sua história, aprenderam com ela e seguem suas vidas com orgulho de quem são.

A coragem de olhar para trás antes de seguir é importante. Nos perdemos pelos caminhos, talvez por falta dessa orientação. Profissionais e empresas muitas vezes seguem um fluxo no qual o rumo é um só mas falta posição, falta propósito nesse movimento. Falta uma história.

Qual é a sua história, qual o início dela? Como você quer terminar este romance?

Para deixar um legado, escrever uma história que ajude a mudar a vida das pessoas a seu redor, é preciso o olhar 360º. Aquele que vai do passado ao presente, que projeta um futuro, mesmo que não muito distante, mas que de alguma forma te dá um caminho único e pessoal.

Quando corri pelo Vale Sagrado, a falta de ar por causa da altitude e o frio, colocaram meu corpo à prova, me fizeram pensar na história que desenhei até ali, entendi que subestimei o desafio. Foi duro. Morri no meio da segunda de muitas milhas, já não aguentava mais.

Eu em Machu Picchu.

Um dia antes corri por estradas que contam

uma história de milhares de anos.

Correr pelo mundo pode ser um exercício físico, mas também pode ser um aprendizado interior. É só uma questão de auto-observação. É parar para pensar enquanto corre. Respirar atento a cada parte do seu movimento entendendo se seu planejamento até ali funcionou e se não deu certo, o que fazer então.

Encontre o seu caminho para o olhar interior. Pode ser correndo ou fazendo qualquer coisa, ou simplesmente não fazendo nada. O mais importante é se reconectar e refletir assim como aquele povo das montanhas peruanas faz.

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