O SOBRENATURAL ESTÁ EM NÓS

Visitar um dos lugares mais remotos do mundo me fez pensar em muita coisa.


Me desculpe se você é da turma que viaja em busca de fotos e posts para depois chegar em casa e tentar lembrar dos lugares por onde passou. Prefiro viajar, observar e depois, fotografar.


Para quem não conhece, a Ilha de Páscoa é território chileno, fica a 3.800km de distância do continente. De avião, saindo de Santiago, são seis horas direto. Ao chegar em um aeroporto que surpreende pela simplicidade e por ser a maior edificação de toda a ilha, automaticamente você é convidado a se reconectar.


Na minha opinião é isso mesmo, uma reconexão interior automática.

Se na maioria das vezes que viajamos, queremos hotéis com a melhor estrutura possível, wi-fi por todo lado, lá, isso simplesmente não existe. O celular vive fora de área. A wi-fi, quando tem, é péssima, mas o vento, ah... esse sim é constante!


Em 1969, foi lançado um documentário com base no livro “Eram os Deuses Astronautas”, do pesquisador Erich Von Daniken e que, em um dado momento, fala da ilha como algo extraterreno.

Sinto dizer, mas eles não eram astronautas.


A prepotência do ser humano é tamanha que o faz duvidar de si mesmo, de suas capacidades e vontades. Preste atenção em você, quantas vezes se colocou em dúvida ou aos outros de maneira arbitrária e se deixou levar pela fraqueza do pensamento negativo?


Depois de conhecer a história do povo Rapa Nui, para mim é muito claro que o sobrenatural estava por lá mesmo, mas neles, na sua vontade de realização, nas suas crenças internas e coletivas como o ponto de partida para algo maior.


Ao redor da ilha também chamada de te Pito o te henua ou Umbigo da Terra, é possível encontrar os Moais, as grandes cabeças de pedra. Em Ahu Tongariki, o sítio arqueológico mais famoso, estão os quinze maiores Moais, um deles com seus 11 metros de altura esculpidos em rocha única, sem emendas.



Eu em Ahu Tongariki no dia 29 de Junho de 2016 - Silêncio para admirar e refletir.

No dia seguinte, corri 8km do sítio arqueológico de AKIVI, no interior da Ilha onde peguei uma trilha toda de terra pela costa até o sítio de TAHAI, já praticamente dentro de Hanga Roa, a única cidade da Ilha de Páscoa.


Os Rapa Nui foram povos Polinésios que habitaram aquela ilha vulcânica. Por causa dessa origem geológica, existem rochas mas não existem metais. Cada estátua foi esculpida usando rochas mais duras e depois de prontas, transportadas através de alavancas de madeira e pedras. A grande maioria dos Moais está posicionada no litoral e de costas para o mar. Eles representam os chefes de família e os guerreiros. Apenas sete deles estão no interior, são desbravadores que buscaram novos lugares seguros para a população viver. As guerras internas dizimaram as tribos e famílias; explicam as estátuas caídas com as faces no chão.


A história é real e é linda. Em Ahu Tongariki fiquei por cerca de duas horas calado, refletindo sobre como podemos ser grandes e construir algo que impressiona e que é realmente bom para os que ficam e que um dia podem se sensibilizar por este legado.


Naquele momento eu estava no início de minha jornada que só acabaria muitos dias depois no Alaska. Ainda passaria por muitos lugares e muitas dúvidas me assombravam. Eu duvidava de mim e do que poderia fazer e viver em nome de uma história, a minha história.


Os Moais e o povo Rapa Nui me ensinaram que o sobrenatural não está em discos voadores, ou em divindades extraterrenas. Está na nossa capacidade de refletir, de mudar nosso pensamento, de manter o foco naquilo que realmente importa e que realmente faz a diferença em nossas vidas e na vida daqueles que estão à nossa volta.


O sobrenatural está em nós, desde que tenhamos a coragem de mudar de caminho, de deixar florescer o real sentido de estarmos aqui. Mudar o Mundo, começa em mudar o nosso Mundo interior, acreditar que tudo é possível com força, vontade e paixão.

Pense nisso.

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM: https://goo.gl/1wyDdS

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